Imprimir

Bibliotecas com livros coletados no Lixo

Foto: mirassol.sp.gov.br

Já vimos aqui que o lixo pode render obras de arte. Pois bem, comprovando a riqueza que é jogada fora no país, agora a história é sobre bibliotecas que nasceram do trabalho de reciclagem. A primeira é de uma moradora da cidade de Mirassol, no interior de São Paulo. A “catadora” Cleuza Branco de Oliveira tinha alfabetização primária quando iniciou o ofício como meio de sobrevivência. Mas, além de plásticos, vidros, papel e metais, Cleuza resgatou outros objetos do lixo: livros. Machado de Assis, José Saramago, Jorge Amado, entre outros autores eram alguns dos “resgatados” por Cleuza no dia a dia do trabalho.

A catadora guardava os livros para depois ler em casa. Após anos encontrando as publicações, ela já tinha exemplares suficientes para realizar um sonho que se formou neste percurso: montar uma biblioteca. Instalada na associação local de catadores, a biblioteca foi inaugurada com um acervo de 300 títulos e disponibiliza as obras para todos. A biblioteca não cobra pelo empréstimo, mas quem quiser, pode comprar os títulos repetidos por um valor simbólico. Esse pequeno rendimento é revertido a favor da associação.

Foto: Gazeta do Povo

Outra história parecida com a de Cleuza aconteceu em Curitiba. Muitos livros já eram encontrados nos lixos da comunidade de Vilas das Torres, mas eram comumente desprezados e viravam pilhas de papel. Os que não continham cores tinham até um valor de mercado mais alto e eram chamados de “papel limpo”. Mas essa realidade mudou quando Carlos Roberto Teles teve a ideia de montar um acervo com os livros achados no lixo.

Os catadores se engajaram nos planos de Teles e os livros passaram a ser doados à parte do papel comercializado. A biblioteca foi inaugurada em 2009 com dois mil exemplares na prateleira. A adesão da população com inscrições foi tão positiva que o espaço ficou pequeno e assim foi inaugurada também a Praça da Leitura, toda decorada com material reciclado.

 

Bibliotecas comunitárias

Hoje, a cidade de Curitiba conta também com diversas bibliotecas comunitárias graças ao projeto Freguesia do Livro. No caso do projeto, as publicações são arrecadadas também em editoras e por meio de doações da população. Os exemplares são distribuídos para pontos de leitura chamados bibliotecas comunitárias, que ficam em estabelecimentos como padarias, restaurantes, farmácias e cafés, em que os proprietários aderiram à ideia do projeto. Para os comerciantes da cidade que quiserem se inscrever, é só ter boa vontade e preencher este formulário que o pessoal da Freguesia entra em contato para montar mais uma biblioteca na cidade.

Histórias como essas podem se repetir em diversos pontos do país, não acha? Conhece mais alguma iniciativa assim? Compartilhe com a gente nos comentários!

 

*Com informações de Livros e Pessoas, Gazeta do Povo e Freguesia do Livro

 

{lang: 'pt-BR'}

Deixar uma resposta

-->